Arquivo de Outubro, 2008

And now for something completely different…

Outubro 28, 2008

Nerds têm certas referências universais. Embora seus gostos difiram em alguns aspectos mais singulares (eu, por exemplo, tenho uma péssima cultura de quadrinhos e não conheço nada de mangá/anime), certas coisas agradam 99% deles e uma delas é Monty Python. Pros desinformados, Monty Python é um grupo de comediantes britânicos responsável pelo Monty Python’s Flying Circus, um programa humorístico exibido pela BBC de 1969 a 1974. Além do programa, eles fizeram alguns filmes, com destaque para Em Busca do Cálice SagradoA Vida de Brian e O Sentido da Vida. Pois bem, se vc é nerd e nunca ouviu falar deles, vc está enganado e não é nerd.

A coisa toda é que, apesar d’eu gostar bastante dos filmes, eu nunca tinha assitido à serie de TV, com exceção de alguns sketches soltos no YouTube. Outro dia, no fórum do MobyGames, um dos caras me recomendou o fantástico sketch do Dennis Moore. Mal sabia ele, mas ele abria as portas do inferno pra mim. Desde então, eu ando assistindo todos os sketches disponíveis no YouTube sem parar. A grande maioria deles é tão sem noção que beira o sem graça, e é justamente aí que reside a graça. Vendo os Pythons vc percebe que nada de novo se fez no humor por um bom tempo. Programas como TV Pirata, Casseta e Planeta (qdo prestava) e Hermes e Renato bebem na fonte dos Pythons em muitos aspectos, mas é claro q nada chega perto.

E como acontece com os Beatles, as pessoas também têm seus Pythons preferidos. Eu não sei precisar o meu, porque cada um tem o tipo de papel que lhe cai melhor. Talvez de todos o meu “menos” preferido seja o Terry Gilliam, mas só pelo fato dele aparecer em menos sketches. O Michael Palin é foda fazendo o Cardinal Ximénez da Spanish Inquisition, o John Cleese (cujo aniversário foi ontem) fazendo o supracitado Dennis Moore, o Graham Chapman fazendo vários papéis, incluindo o do veterinário em Confuse-A-Cat, o Eric Idle fazendo o conselheiro em No Time to Lose e o Terry Jones em qualquer papel feminino (como os que fez em Dennis Moore ou Confuse-A-Cat).

Enfim, só no presente post eu já dei pelo menos 5 exemplos da genialidade dos caras pra o leitor que, como eu, tenha ficado tantos anos na ignorância. Agora vá e não peques mais…

E a paciência, ó…

Outubro 13, 2008

Acho q meu saco já deu. Faz tempo q eu não fico revortado, mas urtemamente a coisa tá foda. Eu ando intolerante com a intolerância. Intolerância intelectual, intolerância religiosa, qquer tipo de intolerância q seja me deixa extremamente puto. Eu já havia postado sobre isso no meu blog antigo, em palavras um pouco mais veladas, mas o facto é q eu ando de saco cheio mesmo de ser alvo e ver pessoas sendo alvo de intolerância.

Há quem defenda a liberdade de expressão a qquer custo, e com isso costuma-se dizer que as pessoas são livres pra dizerem o q bem entendem. Até aí, tudo bem, mas eu costumo achar q educação é sempre bem vinda e q as pessoas deveriam ser no mínimo cuidadosas com o q vão dizer. Dizer o q bem se entende é uma coisa, dizer isso de maneira agressiva é bem outra. E qdo a gente não solicita a opinião das pessoas? E qdo a gente não quer ser iluminado pela tão grande sapiência dos outros? Aí é ainda pior ter q ouvir grosseria. Dizem por aí q “quem fala o q quer, ouve o q não quer”, mas e qdo a gente não fala nada e ouve um monte de merda?
Acho q tudo o q eu tô dizendo talvez faça pouco sentido fora de contexto, mas talvez eu possa elaborar um pouco falando sobre dois conceitinhos básicos em análise do comportamento: controle de estímulo e generalização. Diz-se que um comportamento está sob controle de estímulo quando ele difere na presença e na ausência de tal estímulo. Generalização ocorre quando estímulos que diferem ao longo de uma dada dimensão (cor, por exemplo) controlam uma mesma resposta (por exemplo, dar nome à dada cor). Vamos aos exemplos. Aprendemos a dar nomes às cores quando temos verbalizações reforçadas diante de determinadas cores. Assim, diante de um objeto vermelho (tal como julgado pelas pessoas q já conhecem a cor), um adulto pode perguntar: “que cor é essa?”. Se uma criança diz “vermelho”, é reforçada (por exemplo ouvindo um “muito bem, isso mesmo”) e aprende a dizer vermelho apenas diante de estímulos como aquele diante da qual a verbalização foi reforçada. Quando, diante de um outro objeto com uma cor próxima ao vermelho (vinho, por exemplo), a criança diz “vermelho”, identificamos o que chamamos de generalização, pois dois estímulos diferentes estão a controlar a mesma resposta, isto é, evocam a mesma resposta.

Pois bem, voltemos agora à intolerância. Me parece q o tipo de comportamento que comumente classificamos como “intolerante” ocorre em circunstâncias em que o controle discriminativo é fraco, em circunstâncias em q a generalização é provável de ser identificada. Imagine uma discussão em que uma pessoa afirme, por exemplo, acreditar em Deus. Dependendo da história de vida (e de reforço, portanto), do interlocutor, essa verbalização pode ser “interpretada” de diversas maneiras e a reação do interlocutor vai variar de acordo com o repertório que ele desenvolveu em relação àquela parte da verbalização, especificamente. Imaginemos que tal pessoa tenha aprendido a emitir verbalizações (inclusive privadas, isto é pensamentos) como “burro” ou “ignorante” diante de pessoas que afirmem crer em Deus. Assim, diante da verbalização “eu acredito em Deus”, a probabilidade de ocorrência de verbalizações como “burro” ou “igorante”, nesse caso, será alta. Neste sentido, eu chamo de intolerante aquela pessoa que “generalizou” o estímulo “eu acredito em Deus”, emitindo a verbalização “burro” ou “ignorante” mesmo diante de contextos (pessoas) diferentes das quais ela aprendeu a emitir a mesma verbalização pela primeira vez. Podemos dizer que o controle de estímulo ali foi fraco, pois aquela pessoa, q poderia ter controlado respostas diferentes, acaba por evocar respostas semelhantes a circunstâncias distintas da história de reforço do interlocutor.

Ou seja, o problema, no fim das contas, está onde? Está na história de reforço do interlocutor q não o ensinou a emitir respostas diferentes diante de circustâncias diferentes.  O intolerante é, como qquer pessoa, alguém q gosta de umas coisas e não gosta de outras, mas que parece generalizar o “não gostar” a uma gama grande de situações por fraqueza de controle discriminativo de cada situação. Isso deveria nos fazer ser mais tolerante com os “intolerantes”, visto q, de certa maneira, a responsabilidade por sua intolerância parece estar mais em quem deixou de ensiná-los a serem tolerantes. Mas o problema é que eu tb aprendi a me irritar com essas circunstãncias, e eu talvez acabe parecendo intolerante pelo mesmo motivo. Talvez a diferença seja q, no meu caso, minha intolerância está sob controle de um estímulo bem específico, a intolerância dos outros, e eu não sei se trata-se de um caso de generalização extrema.

Enfim, tudo isso pra dizer q todo mundo ia ser mais feliz se seguíssemos a célebre instrução de um grande e anônimo filósofo contemporâneo : ado, aado, cada um no seu quadrado.

Morte de parente?

Outubro 1, 2008

Ultimamente eu ando tendo sonhos bizarros. Eu acho que muito raramente tive sonhos recorrentes na vida, mas eis que tem acontecido muito recentemente. Tenho sonhado com dentes, mais especificamente, com a queda dos meus, e isso tem me deixado encafifado. A forma como isso se dá varia de sonho pra sonho, mas em todos eu me torno totalmente banguela ou fico com parte de alguns dentes.

Durante a graduação eu realmente gostava de interpretar sonhos e minhas notas em trabalhos que envolvessem interpretação sempre foram boas. Mas a verdade é que eu nunca levei muita fé nas interpretações psicanalíticas que eu costumava fazer (por não levar muita fé na psicanálise como um todo) e pra mim era sempre mais simples explicar os sonhos por eventos próximos na vida da pessoa, sem muitas vezes fazer distinção entre “conteúdo latente” e “conteúdo manifesto”.

Minha namorada tem uma boa explicação pro conjunto de sonhos que eu tenho tido. Eu contei a ela que ando querendo ir ao dentista pq meu(s) ciso(s) parecem dar seus primeiros sinais de vida (tardiamente, pelo visto) e vez ou outra eu fico preocupado com comida acumulando no fundo da boca. Assim, a hipótese dela é que quando eu resolver essa pendência, meus dentes vão parar de cair no campo onírico. Mas o bizarro é que eu não penso nisso sempre, não tem sido uma preocupação tão presente assim na minha vida. Mas acho também que pequenos eventos podem ajudar pra que eu sonhe tais sonhos. No desta noite, por exemplo, eu me via com os dentes da frente quebrados ao meio e minha namorada hipotetizou que fosse pelo fato d’ela ter me contado na noite anterior uma história dum Argentino que uma amiga dela conheceu pela internet e que, quando foi conhecê-la pessoalmente, apareceu com os dentes quebrados, dizendo que os tinha quebrado recentemente. Psicanalistas se perguntariam pq eu sonhei então que “eu” tinha os dentes quebrados, entre outras coisas, mas pra mim, basta o fato ter sido mencionado horas antes.

O mais foda dos meus sonhos recorrentes é que eles tornam-se cada vez mais reais. Eu por vezes sonho, por exemplo, que sou capaz de flutuar coisa de um palmo acima do chão. Toda vez que sonho isso, é como se lembrasse que tivesse sonhado isso um sem número de vezes e que, daquela vez por fim, era real. Com estes dos dentes tem acontecido o mesmo, mas nem sempre me lembro nos sonhos dos sonhos anteriores. E eu tenho pensado recentemente no quanto certas coisas não podem acabar tornando-se “reais” depois de muito repetidas. Como o velho ditado já diz, “uma mentira contada muitas vezes torna-se verdade”, e talvez seja o caso também com certas coisas que possamos sonhar recorrentemente. Uma vez que sonho é comportamento e que, no sonho, nos comportamos de maneira muito semelhante a quando em estado de vigília, pode ser que, em se ter sonhado muito uma determinada coisa, possa se passar a crer que tal coisa de facto ocorreu/ocorre. Claro que no caso dos meus sonhos, por exemplo, eu sempre tenho o ambiente da vigília pra me contradizer: eu nunca vou me vi acordado flutuando ou banguela, ainda que sonhe isso muito. Mas penso nos casos em que uma pessoa sonhe coisas completamente plausíveis, mas que nunca tenham de facto acontecido. Imagine que você sonhe sempre que uma determinada coisa acontece, e que o ambiente da vigília não te dê lá muitas dicas pra que você discrimine que aquilo não aconteceu. Quais as chances de você, depois de um tempo, passar a crer de facto que tal coisa aconteceu? Tal como alguém nos conta um boato e muitas vezes, mesmo sem confirmação, nos comportamos de acordo com tal boato, eu não acho nada difícil (e até esperado) que o façamos também quando nós mesmos, quando sonhamos, contamos boatos a nós mesmos.