E a paciência, ó…

Acho q meu saco já deu. Faz tempo q eu não fico revortado, mas urtemamente a coisa tá foda. Eu ando intolerante com a intolerância. Intolerância intelectual, intolerância religiosa, qquer tipo de intolerância q seja me deixa extremamente puto. Eu já havia postado sobre isso no meu blog antigo, em palavras um pouco mais veladas, mas o facto é q eu ando de saco cheio mesmo de ser alvo e ver pessoas sendo alvo de intolerância.

Há quem defenda a liberdade de expressão a qquer custo, e com isso costuma-se dizer que as pessoas são livres pra dizerem o q bem entendem. Até aí, tudo bem, mas eu costumo achar q educação é sempre bem vinda e q as pessoas deveriam ser no mínimo cuidadosas com o q vão dizer. Dizer o q bem se entende é uma coisa, dizer isso de maneira agressiva é bem outra. E qdo a gente não solicita a opinião das pessoas? E qdo a gente não quer ser iluminado pela tão grande sapiência dos outros? Aí é ainda pior ter q ouvir grosseria. Dizem por aí q “quem fala o q quer, ouve o q não quer”, mas e qdo a gente não fala nada e ouve um monte de merda?
Acho q tudo o q eu tô dizendo talvez faça pouco sentido fora de contexto, mas talvez eu possa elaborar um pouco falando sobre dois conceitinhos básicos em análise do comportamento: controle de estímulo e generalização. Diz-se que um comportamento está sob controle de estímulo quando ele difere na presença e na ausência de tal estímulo. Generalização ocorre quando estímulos que diferem ao longo de uma dada dimensão (cor, por exemplo) controlam uma mesma resposta (por exemplo, dar nome à dada cor). Vamos aos exemplos. Aprendemos a dar nomes às cores quando temos verbalizações reforçadas diante de determinadas cores. Assim, diante de um objeto vermelho (tal como julgado pelas pessoas q já conhecem a cor), um adulto pode perguntar: “que cor é essa?”. Se uma criança diz “vermelho”, é reforçada (por exemplo ouvindo um “muito bem, isso mesmo”) e aprende a dizer vermelho apenas diante de estímulos como aquele diante da qual a verbalização foi reforçada. Quando, diante de um outro objeto com uma cor próxima ao vermelho (vinho, por exemplo), a criança diz “vermelho”, identificamos o que chamamos de generalização, pois dois estímulos diferentes estão a controlar a mesma resposta, isto é, evocam a mesma resposta.

Pois bem, voltemos agora à intolerância. Me parece q o tipo de comportamento que comumente classificamos como “intolerante” ocorre em circunstâncias em que o controle discriminativo é fraco, em circunstâncias em q a generalização é provável de ser identificada. Imagine uma discussão em que uma pessoa afirme, por exemplo, acreditar em Deus. Dependendo da história de vida (e de reforço, portanto), do interlocutor, essa verbalização pode ser “interpretada” de diversas maneiras e a reação do interlocutor vai variar de acordo com o repertório que ele desenvolveu em relação àquela parte da verbalização, especificamente. Imaginemos que tal pessoa tenha aprendido a emitir verbalizações (inclusive privadas, isto é pensamentos) como “burro” ou “ignorante” diante de pessoas que afirmem crer em Deus. Assim, diante da verbalização “eu acredito em Deus”, a probabilidade de ocorrência de verbalizações como “burro” ou “igorante”, nesse caso, será alta. Neste sentido, eu chamo de intolerante aquela pessoa que “generalizou” o estímulo “eu acredito em Deus”, emitindo a verbalização “burro” ou “ignorante” mesmo diante de contextos (pessoas) diferentes das quais ela aprendeu a emitir a mesma verbalização pela primeira vez. Podemos dizer que o controle de estímulo ali foi fraco, pois aquela pessoa, q poderia ter controlado respostas diferentes, acaba por evocar respostas semelhantes a circunstâncias distintas da história de reforço do interlocutor.

Ou seja, o problema, no fim das contas, está onde? Está na história de reforço do interlocutor q não o ensinou a emitir respostas diferentes diante de circustâncias diferentes.  O intolerante é, como qquer pessoa, alguém q gosta de umas coisas e não gosta de outras, mas que parece generalizar o “não gostar” a uma gama grande de situações por fraqueza de controle discriminativo de cada situação. Isso deveria nos fazer ser mais tolerante com os “intolerantes”, visto q, de certa maneira, a responsabilidade por sua intolerância parece estar mais em quem deixou de ensiná-los a serem tolerantes. Mas o problema é que eu tb aprendi a me irritar com essas circunstãncias, e eu talvez acabe parecendo intolerante pelo mesmo motivo. Talvez a diferença seja q, no meu caso, minha intolerância está sob controle de um estímulo bem específico, a intolerância dos outros, e eu não sei se trata-se de um caso de generalização extrema.

Enfim, tudo isso pra dizer q todo mundo ia ser mais feliz se seguíssemos a célebre instrução de um grande e anônimo filósofo contemporâneo : ado, aado, cada um no seu quadrado.

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